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Grupos interativos e melhora dos índices educacionais

29/11/2016

Grupos interativos e melhora dos índices educacionais

Em 2015, a equipe gestora da EM Professor Eduardo Rodrigues de Carvalho, no município de Socorro, interior de São Paulo, participou de um encontro com a Rede de Apoio à Educação (RAE) para conhecer os projetos do Instituto Natura, entre eles Comunidade de Aprendizagem, e se organizou para incorporá-lo à rotina da escola.

A coordenadora pedagógica Regineia Tavares da Silva apresentou a proposta de CA no horário de trabalho coletivo para os professores, quando também realizou um Grupo Interativo para que eles vivenciassem a experiência. Como a escola já tinha iniciativas de envolvimento com a comunidade, colocar em prática alguma das Atuações Educativas de Êxito (AEE) seria um caminho coerente ao que estava sendo percorrido. A diretora Viviane Cristina Casagrande Ribeiro conversou sobre o projeto em uma reunião de pais, explicando os princípios e a necessidade dos voluntários. Já no dia seguinte, uma aluna a abordou dizendo: “Meu avô quer participar, mas ele está preocupado porque ‘tem pouca leitura’”, conta. A diretora explicou que não havia nenhuma restrição de participação e, desde então, o avô da menina não falta em nenhum dos compromissos da escola. O envolvimento foi geral!

    

O primeiro ano com CA

Para iniciar a experiência com o projeto, a equipe colocou em prática os Grupos Interativos com as turmas de 4o e 5o anos. O foco no 4o ano foram as atividades de Língua Portuguesa e Matemática durante o período das aulas. No 5º ano, o trabalho foi realizado com as mesmas disciplinas duas vezes por semana, no contraturno escolar, com revisões do conteúdo para todos os estudantes que quisessem comparecer. Naquele momento, a intenção era tratar os temas de maior dificuldade das crianças e complementar o que já estava sendo feito em sala de aula. Enxergaram nos Grupos Interativos uma forma de tornar os momentos de aprendizagem atraentes, diferentes e interessantes. “Estamos em uma região de vulnerabilidade social e queríamos melhorar os índices das avaliações. Achávamos que o envolvimento dos pais na escola seria um apoio importante para a aprendizagem!”, conta Viviane.

    

A experiência deu certo: a participação foi efetiva das crianças e dos voluntários. O resultado do aprendizado pode ser visto até nos resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação básica (IDEB) de 2015 para os anos iniciais: a escola atingiu 7,2, pontuação muito maior do que o 5,4 da edição anterior, de 2013. E, para coroar a alegria da equipe e da comunidade, esse número superou a meta estabelecida para 2021, que é de 6,8. Tanto avanço, segundo a diretora Viviane, a coordenadora pedagógica Regineia e a secretaria municipal de educação, teve influências do trabalho realizado nos Grupos Interativos.

 

O segundo ano de Grupos Interativos na escola

Esses resultados impulsionaram pela continuidade da prática dos Grupos em 2016, em paralelo com os demais esforços realizados pelas equipes da escola para melhoria da aprendizagem. “Nesse ano, direcionamos os Grupos Interativos para os 2o e 3o anos, uma vez por semana, durante 1 hora por dia. Há 7 voluntários que se dividem entre as turmas”, conta Regineia, que já participou de parte dos módulos do curso a distância (LINKAR) disponíveis no portal de Comunidade de Aprendizagem e se sente ainda mais apropriada das propostas.

 

    

A professora do 2o ano, Maria da Graça Silva, seleciona jogos para trabalhar com as crianças em pequenos grupos. “Com a ajuda dos voluntários, consigo dar atenção aos que têm dificuldade. Quando um grupo precisa de mais tempo para compreender um desafio, permanece com o jogo. Aqueles que já estão com as atividades realizadas, alternam para outro”, conta. Ela citou uma proposta de Matemática que exigia preparação de objetos, manipulação e análise de sólidos geométricos. “Eu não teria conseguido realizar essa atividade sozinha com 20 alunos. Mas com o apoio de outros adultos, foi possível! Mesmo quando o voluntário não sabe responder alguma questionamento da turma, não há problema. Ele me pergunta, pensamos e resolvemos. O ganho é de todos, adultos e crianças”.

Sandra Aparecida de Moraes Silva, professora do 3o ano, cita um trabalho de Língua Portuguesa nos Grupos Interativos em que o foco foi a reescrita de textos conhecidos de memória. “Minha turma é muito falante e nem sempre consigo dar voz a todos. Pude contar com os voluntários para leitura e apoio no momento da escrita, o que fez a proposta ser muito produtiva!”

 

Parceria entre a equipe

Sandra, Maria da Graça e Regineia também são parceiras na seleção de conteúdos e adaptação dos materiais apresentados aos grupos. A coordenadora conta que identificam quais assuntos devem ser trabalhados e como tornar as propostas ainda mais ricas. Para organizar o trabalho com os voluntários, são feitas reuniões minutos antes de entrarem em sala para apresentação da atividade. O vínculo formado entre essas pessoas e as crianças, segundo Maria da Graça, é incrível. “Quando as famílias estão na escola, a ligação entre todos fica mais profunda. Existe respeito, todos aprendem, todos compartilham”. Segundo Regiane, também os voluntários saem das experiências felizes, satisfeitos pela forma como as crianças estão aprendendo e sabendo quais conteúdos estão sendo ensinados. José Antonio da Silva, voluntário que acompanha o 3o ano, dá seu depoimento: “É fantástico estar na escola e sentir o carinho das crianças! Aprendo a usar a linguagem infantil e fico feliz por ver que elas aplicam o que sabem e enfrentam novos desafios. Temos que investir na formação das crianças para ter um futuro melhor!”

A escola se prepara para 2017 e já pensa em incorporar, por mais um ano, CA na rotina. “A participação e a aprendizagem são melhores! Temos que continuar e fazer ainda melhor!”, diz Viviane. 

 

Por Beatriz Santomauro

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